23 de março de 2016

dois ou três comentários sobre o 10º golden geek awards



nesta segunda foram anunciados os vencedores do 10º golden geek awards, prêmio anual entregue pelo BoardGameGeek (ou BGG), um dos mais importantes sites/banco de dados sobre jogos de tabuleiro no mundo. os indicados e vencedores são escolhidos pelos próprios usuários do site através de votações nas diversas categorias (jogo do ano, arte e apresentação, jogo de cartas, jogo de estratégia, etc.). ou seja, os jogos mais populares são os que levam a grande maioria dos prêmios.

sendo assim, normalmente não há surpresas entre os vencedores, e esse ano não foi diferente, tendo o 'pandemic legacy' como o grande vencedor, levando 4 prêmios: jogo do ano, jogo inovativo, jogo de estratégia e jogo temático.'7 wonders: duel' (versão do '7 wonders' - publicado no brasil pela galápagos jogos - para somente dois jogadores) também se deu bem, vencendo nas categorias de jogo de cartas e jogo para 2 jogadores (e não levou mais justamente por causa do 'pandemic legacy').

dentre todos os vencedores e os runner up (algo como "vices campeões"), tive oportunidade de jogar somente dois jogos - o próprio 'pandemic legacy' e o 'tides of time' (outro jogo de cartas somente para duas pessoas) - justamente os únicos que foram lançados por aqui (o primeiro pela devir e o outro pela funbox jogos), além do tão falado 'blood rage' (trazido pela galápagos jogos). há previsão, ou no mínimo rumores, de que também sejam lançados o 'codenames', 'mysterium', 't.i.m.e. stories' (última vez que coloco todos esses pontos) e o 'the voyages of marco polo' (e não duvido que logo logo anunciem o '7 wonders: duel').

resolvi aproveitar o blog e fazer uma análise superficial da premiação desse ano, mas, justamente por ter experimentado tão poucos, não tenho muito o que comentar em relação ao jogo em si, então me limitarei a falar sobre o que li em artigos e assisti em vídeos, além de comentários/opiniões que circulam por aí.

aos vencedores:

como já dito, não há nenhuma surpresa em relação ao grande vencedor deste ano. e merecidíssimo. brevemente comentado por mim na lista do post passado e num texto em que eu tentei esclarecer como funciona o jogo, 'pandemic legacy' nada mais é que o clássico 'pandemia' aliado ao sistema legacy, ou seja, nada mais que um já conhecido jogo que vai "bombando" à medida que se joga, como se você fosse adicionando expansões ao 'pandemia' normal entre uma partida e outra. porém, a experiência de passar por toda essa campanha é completamente única, extremamente divertida e cheia de tensão e surpresas, agradando até mesmo os que costumam preferir os euros mais pesados, como eu.

me surpreendeu os dois jogos que ficaram na disputa pelo segundo lugar. esperava que fossem estar aqui o 'time stories' - que todo mundo diz também trazer uma experiência única - e o tão aclamado 'blood rage' - fazendo nome como uma mistura perfeita entre os estilos europeu e americano. acho curioso o fato de estar, no lugar desses dois, um party game e um jogo para somente dois jogadores, mesmo também tendo existido tanto hype em cima dos dois.

visto os runners up para jogo do ano, nada mais justo que encontremos o 'codenames' como vencedor dessa categoria - um party game desenvolvido pelo cultuado vlaad chvátil que, inteligentemente, mistura dedução a um word game (jogo de palavra, tipo 'scrabble') em um jogo de times.

como um dos vices, o tão falado 'mysterium', que muitos dizem ser uma versão de 'dixit' transformado em um jogo de verdade. já a presença do 'between two cities' - um jogo simples, mas curioso, em que você cooperativamente cria cidades com seus oponentes vizinhos - foi uma surpresa, visto que vi e ouvi muito mais (incluindo melhores elogios) sobre outro jogos da lista de indicados, tais como 'above and below', 'cacao' e 'new york 1901'.

na categoria dos jogos temáticos tivemos justamente a configuração que eu esperava para jogo do ano. 'pandemic legacy' novamente merecedor, com sua campanha quase que épica que deixa qualquer um completamente envolvido; 'time stories' e sua elogiada narrativa, parecendo trazer as saudosas "aventuras solo" em um sistema cooperativo que envolve viagem no tempo; e 'blood rage', aclamado justamente por aliar bastante tema a um jogo estilo euro e ainda tido como o jogo mais viking de todos os tempos.

aqui estamos num campo ainda bem desconhecido e pouco explorado no brasil. era de se esperar que o 'churchill' fosse o vencedor, dado tantos e tantos elogios ao jogo em si e ao seu sistema inovador. já ouvi falar bem do 'triumph & tragedy', mas não conheço o jogo.

mais uma vez o 'pandemic legacy' como vencedor, tendo o '7 wonders: duel' como um dos vices. não há muito o que comentar em relação a isso. não tenho certeza se a categoria mais apropriada para esses dois jogos é a dos family ou dos jogos de estratégia. entendo que eles estejam aqui, afinal exigem uma boa dose de estratégia, mas, sendo assim, fico sentindo falta de uma categoria voltada para os jogos mais pesados, que acabam sempre meio esquecidos no golden geek award.

também esperava aqui a presença do 'blood rage' no lugar do 'the voyages of marco polo', mas aparentemente ele foi bem ignorado pelos votantes.

'7 wonders: duel' obviamente leva o prêmio para os jogos de cartas. era esperado que o 'the grizzled' desses as caras por aqui, um elogiado cooperativo ambientado na primeira guerra mundial (e, ironicamente, com arte do cartunista francês tignous, assassinado no atentado de 'charlie hebdo'), tido como um grande desafio e que traz uma boa sensação de camaradagem entre os jogadores.

é curioso a ausência de um card game de maiores proporções (em termos de tamanho e quantidade de componentes, tipo o '7 wonders' original ou o 'dominion') no mercado em 2015.

mais uma vez deu o '7 wonders: duel', levando justamente as duas categorias em que 'pandemic legacy' não poderia roubar seu prêmio. já esperava que o 'baseball highlights: 2045' estivesse entre os melhores, visto que alguns o tem, até, como o melhor jogo de baseball já feito. mas imaginei que o outro runner up pudesse ser o 'ashes: rise of the phoenixborn', que alguns o mencionaram como o magic da nova geração. não esparava que o 'tides of time' fosse tão popular, até porque é um microgame (o jogo todo são somente 18 cartas) extremamente simples, com um sistema que se consiste somente em drafts de cartas

'codenames', obviamente, leva onde seus outros dois concorrentes ao melhor do ano não poderiam vencer. aparentemente, um prêmio merecido e esperado.

esperado também são os runner up: 'mysterium', um cooperativo de dedução que pega a ideia do 'dixit' de usar cartas com ilustrações surreais (e belíssimas) aliado à muita criatividade; e 'flick 'em up!', um jogo de peteleco ambientado no velho oeste, com componentes de altíssima qualidade e uma jogabilidade extremamente divertida.

aqui temos a maior injustiça deste golden geek award. certo que o 'pandemic legacy' é um jogo que traz uma experiência única, mas ele é, como já dito, nada mais do que uma junção de um jogo já existente com o sistema legacy, sem nenhuma grande alteração em relação ao 'pandemia' normal e ao modo como o legacy foi utilizado originalmente, em 'risk legacy' (aí sim, um jogo completamente inovador na época em que foi lançado).

como seus dois grandes concorrentes, não basta o 'time stories', que, aparentemente, é diferente de tudo já feito, temos o fantásticos '504', uma experiência do friedemann friese (designer do 'power grid') que consiste em 504 jogos em um. o jogo possui 9 mecânicas específicas, e toda vez que uma partida for iniciada, os jogadores devem escolher 3 delas usando um manual disposto de forma genial, que irá definir o sistema do jogo escolhido (isso tudo ainda aliado com um certo tema!). claro que a maioria das 504 possibilidades devem ser jogos medíocres, mas com certeza essa não era a intenção nem diminui toda a genialidade e inovatividade (essa palavra existe?) desse experimento fantástico.

como dito, 'mysterium' usa o mesmo esquema de grandes cartas belissimamente ilustradas que o 'dixit', então esse fato por si só já fazia desse jogo um grande concorrente nessa categoria. somado à arte de todo o resto dos componentes, não tinha como não levar o prêmio. 'time stories', com sua intrigante arte minimalista (eu acho a capa da caixa fantástica de linda), e 'above and below', com a sempre bela e singela arte de ryan laukat (designer do 'um império em 8 minutos' - pra quem não sabe, ele sempre é o responsável pela arte de todos os seus jogos), ficam merecidamente na disputa pelo segundo lugar.

nas demais categorias, não tenho muito o que falar. as três expansões são naturalmente de jogos bastante populares (fico impressionado como o 'ticket to ride' ainda consegue ter novos mapas com tanta receptividade). não costumo jogar os modos solo de jogos, baixar os 'print & play" (apesar de sempre ficar curioso), jogar em dispositivos elertrônicos, nem assisto os podcasts indicados, portanto não há o que comentar.

o golden geek award também premia RPGs e vídeo games, mas aí já não é comigo... =]

então é isso! e vocês, o que acharam do golden geek award desse ano?

2 comentários:

Fábio disse...

Dos prêmios em sim tenho pouco a comentar, mas quero aqui elogiar seu post: excelente texto, onde se nota o conhecimento que tem sobre o assunto. Parabéns!

Nielison Brito disse...

valeu, fábio! a ideia de escrever é justamente pra tá aumentando esse conhecimento sempre. =]