21 de julho de 2016

As Viagens de Marco Polo


AS VIAGENS DE MARCO POLO
(2-4 jogadores, 20-25 min por jogador. Design de: Daniele Tascini e Simone Luciani. Publicado por: Devir)

Antes de qualquer coisa, tenho de fazer uma ressalva que pode interferir na sua leitura deste review. Eu tenho uma predileção clara por euro games, não chega a ser algo que me impeça de curtir uma mesa cheia de miniaturas e dados pra todos os lados, mas quando há pecinhas de madeira e muito planejamento envolvido, eu já percebo com outros olhos.

Digo isso por que essa foi minha primeira reação quando abri a caixa das Viagens de ‘Marco Polo’ (DEVIR, 2016), meeples de madeira, tokens de madeira, até os dados são de madeira, elementos estes que, em conjunto com um tabuleiro de ótima qualidade gráfica, transformam uma mesa de jogo num carnaval de cores e peças.
Como se pode deduzir pelo título, a temática deste jogo envolve as famosas expedições chefiadas por Marco Polo, o mercador veneziano conhecido por ter documentado suas viagens ao distante oriente, terra que lhe trouxe riquezas e grandes amigos. Durante a partida cada jogador assume a personalidade de um dos companheiros de Marco Polo ou de personagens que (assumidamente) tiveram influência em suas viagens, cada personagem possui habilidades únicas e completamente diferentes que trazem um elemento de poderes variáveis extremamente interessantes ao jogo. Voltarei a falar deste aspecto quando chegarmos à rejogabilidade.

O tema está definido, viajar pelas terras orientais em busca de riquezas e, possivelmente, estabelecer postos avançados de comércio em cidades chaves na sua busca por prestígio e fama (leiam-se pontos de vitória, afinal de contas é um eurogame lembram?). Pois bem, como podemos nos tornar um lendário explorador enquanto acumulamos riquezas e fama (de novo, pontos de vitória)?
Peças de madeira!! *____*
A mecânica fundamental das ‘Viagens de Marco Polo’ é ‘dice placement’ (alocação de dados), é fundamentalmente um ‘worker placement’ (alocação de trabalhadores) na qual seus trabalhadores são dados [nesta mecânica, deem uma olhada em Alien Frontiers, Troyes e Castles of Burgundy]. Ou seja, cada jogador é agraciado com seus lindos dados de madeira que devem ser rolados uma vez antes da rodada começar, a partir disso, em seu turno, o jogador aloca a quantidade de dados necessários à ação que deseja realizar, tentando se beneficiar da melhor maneira dos resultados obtidos em cada dado. A depender de seu plano, rolagens de números altos nem sempre é o que você quer naquele turno, havendo um equilíbrio interessante entre sorte e planejamento, posto que você possui meios de alterar os resultados dos dados.

Com seus trabalhadores em mãos, cada jogador executa uma ação por vez e gastando a quantidade de dados indicados na ação, quando todos os jogadores não tiverem mais dados disponíveis, a rodada se encerra. Bem simples, não é? Então, a grande dificuldade do jogo é traçar de antemão a melhor rota para cumprir seus objetivos, arrecadar fundos para bancar suas viagens e recursos para cumprir seus contratos, tudo isso de modo a lhe fornecer fama e riqueza (já sabem, né? Pontos de vitória).

As localizações no tabuleiro são fáceis de visualizar e de fácil compreensão, a ausência de texto não atrapalha em nada, tendo em vista que os efeitos dos locais são facilmente compreendidos pelas simbologias no tabuleiro. Um aspecto que chama atenção nas Viagens de Marco Polo é que, diferente de alguns ‘dice placement’, o fato de alguém ter jogado na ação que você queria não impede que você também jogue, mas isso vai lhe custar parte de seu rico dinheirinho (preciso dizer, nunca achei que fosse tão caro viajar para o oriente). Existem ações que podem sim ser bloqueadas para que ninguém a faça naquela rodada e fazer uma ação que já foi feita custa mais caro, então cabe a você antecipar a jogada dos demais viajantes e buscar a melhor ordem de executar seu plano.
As caravanas indo buscar ouro e fama no Oriente.
‘As Viagens de Marco Polo’ é um jogo que possui um passo bem rápido, você sente que não vai dar tempo de fazer tudo que queria, então cabe ao jogador maximizar da melhor forma suas jogadas antes do final da quinta e última rodada. Cabe cuidado na hora de planejar suas viagens, como e quando cumprir seus contratos e a ordem que você vai executar todas as ações que você quer (mas talvez não consiga por conta daquele jogador que fez você gastar mais do que devia para viajar).

O jogo possui um grande padrão de rejogabilidade devido a variação de poderes dos personagens, bem como pela disposição aleatória de bônus pelas cidades do mapa, vale notar que a quantidade de cartas de bônus e rotas de viagens enormes, fazendo com que dificilmente uma partida seja igual a anterior.
A comitiva de Marco Polo
No fim, será coroado vencedor aquele que melhor soube planejar sua árdua viagem ao oriente  e voltou com os bolsos cheios de riquezas e historias para narrar em seu livro sobre todo o ocorrido (pontos de vitória, ok?).

‘As Viagens de Marco Polo’ foi aprovado por todos os jogadores e camelos aqui da Confraria de Jogos e, certamente, é uma ótima pedida para quem gosta de euros que exercitem sua capacidade de planejamento e administração de recursos.   

NOTA: 8,5

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