11 de outubro de 2016

sobrevivendo ao Pandemic Survival


no sábado passado, dia 08/10, aconteceram as duas últimas regionais do torneio pandemic survival, em são paulo-sp e campina grande-pb, do qual, neste último, fui um dos participantes (e vencedor, junto com o oponente constante alisson =D). estava bastante curioso pra saber como seria um torneio de 'pandemic', considerando que é um jogo cooperativo e que toda partida se desenvolve com configurações bem diferentes, e, depois da minha participação, achei todo o esquema interessante e bem organizado, então resolvi compartilhar no blog como funciona esse esquema e deixar algumas considerações sobre o que achei do torneio em geral.

o evento

o pandemic survival é um torneio do jogo 'pandemic' que ocorre mundialmente, com etapas regionais e nacionais. aqui no brasil, o torneio foi organizado pela devir (o que é óbvio, já que é a empresa que trouxe o 'pandemic' e suas expansões/versões para o brasil), com 12 regionais acontecendo por todo o país em datas diferentes, iniciando-se em 20/08, na domain games (são paulo-sp), e finalizando no último sábado na academia de jogos (também em são paulo-sp ) e na tio gêra brinquedos (campina grande-pb).

"folder" de divulgação das últimas etapas regionais.
em cada etapa, se inscreveram de 6 a 12 duplas, que competiram entre si com cada uma jogando uma partida simultânea do 'pandemic' (com as mesmas configurações de setup) e tendo como vencedor a dupla que descobrisse as quatro curas primeiro (que é o objetivo do jogo) ou a que conseguisse resistir por mais tempo (ou seja, a última a ficar "de pé").

a dupla vencedora de cada etapa regional garantiu uma vaga para a etapa nacional (além de ganhar, cada um, uma cópia nacional da expansão 'no limite', a ser lançada em breve), que ocorrerá em 15/10 na loja terramédia (são paulo-sp). por sua vez, os vencedores da nacional poderão se consagrar os grandes campeões na etapa final, que será no dia 17/12 em barcelona, espanha, saindo como os salvadores do mundo.

o torneio

como dito, cada etapa em si consiste em várias partidas de 'pandemic' sendo jogadas simultaneamente por cada dupla e montadas com exatamente as mesmas configurações. mas como funciona isso? considerando que os critérios para definição dos vencedores dependem de "velocidade" (quem descobrir as quatro curas primeiro) ou "duração" (quem resistir por mais tempo), como seria quantificado esse critério? por tempo ou por turno? o mais justo seria que fosse contabilizado a quantidade de turnos (evitando também procrastinações), mas como seria realizado essa contabilização?

era o que nos perguntávamos enquanto aguardávamos a chegada do pessoal da devir, representada pelo paulo.

cada mesa, com seus respectivos tabuleiros,
separadas por divisores
 
os baralhos do jogo já pré-configurados
e os dois 'pandemic - no limite'
(já a versão da devir) para os vitoriosos
bem, a coisa toda acontece da seguinte maneira: todas as mesas são previamente montadas quase que num setup de jogo normal (em nível heróico, ou seja, são usadas seis cartas de epidemia), sendo que tudo já é previamente "setado". cada dupla joga com o médico e o arquivista (personagem da expansão que pode ficar com até 8 cartas na mão e tem a habilidade de pegar, uma vez por turno, uma carta do descarte que corresponda a cidade onde ele está), organizado de uma maneira que todos que fossem jogar com o médico (que começa o jogo) deveriam se sentar de um lado da fila de mesas e quem jogasse com o arquivista se sentaria do outro lado (provavelmente para uma melhor identificação e controle do personagem que está resolvendo seu turno durante a partida). além disso, o baralho do jogo (de onde os jogadores compram cartas) já vem preparado e pré-configurado de maneira que estão iguais para todas as mesas.

a grande diferença pra uma montagem do jogo normal é que o baralho de infecção (que também já está pré-configurado) é comum à todas as mesas, sendo controlado pelo juiz do torneio (no caso, o paulo da devir).

então, quando a dupla senta à mesa, já encontra tudo preparado, com a finalização da montagem, que é justamente a infecção inicial das 9 cidades, sendo realizada pelos próprios competidores à medida que o juiz anuncia quais cidades devem ser infectadas (lembrando que ele está com o controle do baralho de infecção que serve todas as mesas).

médicos do lado direito e arquivistas do lado esquerdo.
tudo montado, inicia-se a partida com o médico. cada mesa tem 1:30 minuto para realizar a fase de ações do seu turno (que é fiscalizado pelos assistentes do juiz, evitando que alguns jogadores realizem turnos "mágicos"). após realizar as quatro ações, o jogador deverá aguardar o restante do tempo ou que todas as demais mesas realizem seu turno. se algum jogador não conseguir realizar as quatro ações durante esse tempo, sua fase de ações termina assim mesmo e ele perde as demais ações. passado 1:30 minuto (ou quando todas as mesas completem as quatro ações), o jogador da vez é autorizado a comprar sua primeira carta do baralho de jogo (nesse momento, se sua mão máxima exceder o limite, ele deve imediatamente descartar uma carta). após todos comprarem a carta e descartarem o excesso (se houver), o jogador compra a segunda carta (lembrando que, como o baralho do jogo já é "setado", as cartas compradas serão as mesmas para todas as mesas - ou seja, se um jogador compra uma carta de epidemia, todos os outros também compraram a mesma carta). depois, segue a fase de infecção com o juiz anunciando a todos quais as cartas compradas, uma por vez, e a respectiva cidade que deve ser infectada.

ou seja, o torneio é organizado de maneira que não só as partidas acontecem simultaneamente, mas também todos os turnos da partida, que possuem um limite de tempo, controlando o desenvolvimento de cada mesa e evitando que alguma dupla fique atrasando suas jogadas (para ganhar alguma vantagem) ou que ocorra boa e velha analysis paralysis mesmo.

no mais, a partida é exatamente a mesma de um 'pandemic' normal (além da adição do arquivista e algumas cartas de eventos que também são da expansão). se uma dupla perder por surtos ou por falta de cubos, ela está fora do torneio. a dupla que descobrir as quatro curas primeiro (ou seja, num menor número de turnos) vence. se ninguém vencer e o jogo terminar por falta de cartas no baralho do jogo (o que irá acontecer ao mesmo tempo para todos), as duplas restantes empatam, com critérios de desempate que incluem número de curas encontradas, surtos e cidades com três cubos (não lembro a ordem em que são considerados cada critério).

como mostrado nas fotos, as mesas estão separadas com uma espécie de divisores entre elas, cada divisor com dois placares por mesa, um indicando a quantidade de curas encontradas e outro indicando o número de surtos ocorridos. ou seja, tudo bem bonito e organizado.

oito surtos? seu tabuleiro é coberto e a dupla está fora.
a partida (e algumas considerações sobre nossa estratégia)

uma outra dúvida que eu tive com o pessoal foi, já prevendo que a configuração da partida seria pré-definida, se essa configuração iria criar um jogo mais estratégico (o que achei mais provável) ou se dependeria muito do sorte (como muitas vezes é o caso numa partida normal de 'pandemic').

a escolha dos dois personagens que foram usados já mostrou de cara que o torneio procuraria premiar uma dupla que, ao menos, seguisse uma boa estratégia durante a partida (o que é bem justo). eu já esperava, supondo que a organização seguisse por esse caminho, que fosse escolhido o cientista/ médico com um outro personagem com habilidades relacionadas à movimentação (o especialista em operações ou o agente de viagens), unindo uma vantagem em encontrar as curas/controlar as doenças junto com outra que possibilitasse uma gama maior de possibilidades durante as ações, aumentando o aspecto estratégico do jogo. porém, além do médico, o outro personagem escolhido veio da expansão e sua habilidade não estava ligada à movimentação, mas ao manuseio de cartas, o que talvez tenha trazido esse aspecto estratégico ainda mais do que eu esperava. de cara, achei a escolha do arquivista bem legal.

considerando que o setup foi pra uma partida no nível heróico (seis cartas de epidemia), que na grande maioria das vezes é bem difícil de ser batido, os baralhos foram configurados de uma maneira que o jogo não se tornava tão difícil (para não dizer impossível, visto que muitas vezes a configuração de um dos baralhos pode tornar a vitória matematicamente inviável, por melhor que sejam os jogadores) e nem tão fácil - as cores das cartas no baralho do jogo e de infecção estavam bem distribuídas, de modo que não vinham muitas infecções da mesma cor juntas, não facilitava/ dificultava a descoberta das curas e, principalmente, evitava a aparição de epidemias muito próximas uma da outra.

ou seja, a configuração escolhida pela organização foi de maneira que deixou possível a descoberta das quatro curas, mesmo não tornando a partida fácil ('pandemic' no nível heróico jamais será fácil), mas que exigisse um mínimo de estratégia e de conhecimento sobre como o jogo funciona. novatos podem ter passado por aquela euforia inicial da ilusão de que está tudo sendo controlado (como acontece muitas vezes numa partida normal), mas lá pela terceira epidemia já tinha muita dupla à beira da derrota pelo oitavo surto.

e quem joga 'pandemic' muitas vezes sabe que o jogo sempre vai exigir uma boa dose de estratégia (num aspecto quase que matemático), mas também um pouco de confiança na sorte. se você se focar muito nesse aspecto matemático e ficar eliminando os cubos do mapa para sempre estar preparado para as epidemias que virão, suas chances de perder por tempo (quando o baralho do jogo se exaurir) são muito grandes. então muitas vezes, próximo de encontrar a última cura, o grupo tem que arriscar a sorte e correr atrás das últimas cartas e deixar os cubos um pouco de lado (rezando para que não venha uma epidemia antes do que você já previu ser o último turno para a vitória) - foi o que fizemos.

uma das coisas legais na escolha do arquivista como um dos personagens é que ele possibilita que o grupo descarte cartas para realizar ações sem preocupação, visto que elas podem ser recuperadas depois (numa partida normal, descartar muitas cartas da mesma cor pode ser um grande problema para depois encontrar a cura para a respectiva doença). então o primeiro alinhamento estratégico da dupla foi: alisson, que estava com o médico, se preocupava com as doenças (cubos), usando livremente as cartas para se mover com mais eficiência, enquanto eu ia atrás de recupera-las no descarte e depois encontrar as curas. esse esquema também se torna uma vantagem porque, considerando que o médico está sempre usando cartas para se mover e o arquivista para encontrar as curas, evita que os dois tenham que constantemente descartar cartas por excesso na mão.

outra vantagem estratégica do arquivista é o fato dele poder construir centros de pesquisa constantemente, pois, tendo que usar a carta da cidade onde está para realizar essa construção, ele pode recupera-la ainda no mesmo turno, evitando a perda de cartas nessa ação (lembrando que o arquivista só pode recuperar cartas da cidade onde está).

então esta foi basicamente o caminho que tomamos: o médico se movia por todo o mapa, usando cartas e removendo cubos, enquanto eu ia atrás, recuperando-as e construindo centros de pesquisa para tornar nossa movimentação ainda mais eficiente (e de quebra, facilitando a descoberta de curas, já que essa ação só pode ser realizada numa cidade com centro de pesquisa). durante todo o jogo, sempre tínhamos todas as doenças sob controle, e a derrota por surto não chegou a ser uma preocupação para nós.

pelo menos não até os últimos turnos.

quando descobrimos a segunda (a única descoberta pelo médico) e terceira cura (em turnos consecutivos), nosso grande alvo passou a ser a quarta e última cura (no caso, a doença amarela, que, por sinal, era a que estava nos dando trabalho nesse momento). eu e o alisson só possuíamos uma carta amarela cada, então comecei a ficar preocupado com a derrota pelo fim do baralho do jogo. deveríamos nos apressar... haviam cartas amarelas no descarte o suficiente para a cura, porém, como a habilidade do arquivista só pode ser usada uma vez por turno, eu não sabia se teríamos turnos suficiente para isso. alisson, então, precisaria me passar a dele (ou seja, precisaríamos estar juntos na mesma cidade da carta) e, ainda mais, eu precisaria de sorte para pegar alguma carta amarela na fase de compras. isso tudo aconteceu pouco depois da quinta epidemia, que deixou nosso tabuleiro infestado de cubos e o marcador de surto no sétima e último espaço. imaginávamos que, ao menos, alguma outra dupla estivesse tão perto da quarta cura quanto nós, então a corrida era duplamente contra o tempo (para o baralho de jogo acabar ou outra dupla ganhar). então vi que o melhor seria depender um pouco da sorte (com um nível de controle, claro) e correr para a última cura.

de fato, tive sorte na minha compra e consegui pegar duas cartas amarelas. com outra que tinha recuperado do descarte durante meu turno, já tinha quatro na mão - restava somente mais uma. alisson não precisava me passar mais a dele, visto que era mais fácil, no meu turno, eu pegar a quinta carta amarela do descarte, mover para uma cidade com centro de pesquisa e encontrar a cura. eu sabia que não tínhamos como perder na fase de infecção (todas as cartas de infecção de cidades com três cubos já estavam no descarte). então era rezar para que não viesse uma epidemia no turno de alisson (que, aliás, não precisava fazer nada, visto que só precisávamos que chegasse no meu turno). alisson jogou (inclusive, devido ao tempo, ele acabou perdendo duas ações), comprou a primeira carta, não era epidemia, meu coração já tava saindo pela boca, comprou a segunda e a epidemia não veio. meu turno: 1ª ação - pegar carta do descarte; 2ª ação - mover para a cidade vizinha (que tinha centro de pesquisa); 3ª ação - descobrir a quarta cura. ganhamos!

mas por muito pouco. ao fim, verifiquei que, se não tivéssemos acabado naquele momento, viria a última carta de epidemia na minha fase de compras, e com certeza não sobreviveríamos à ela. além disso, pelo menos uma das outras duplas ganharia no outro turno (e sobreviveriam à última epidemia, pois o tabuleiro deles estava muito mais limpo de cubos que o nosso e aguentavam ainda uns dois ou três surtos). no fim, foi realmente uma questão de depender da sorte e correr para chegar logo à vitória. não sei como foi nas outras etapas, mas para nós deu certo. =D

vencedores e seus espólios. ré!
bem, e foi isso. finalizando, fica os parabéns ao pessoal da devir e quem mais do mundo esteve na organização desse torneio. foi bem feito e muito legal. infelizmente, não tenho como ir para a etapa nacional em são paulo, mas fica aqui a torcida para que o vencedor possa nos representar bem em barcelona!

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