19 de março de 2018

Melhores de 2017 - Novidades


Começo do ano com férias e, consequentemente, trabalho acumulado, daí mais uma lista com melhores jogos jogados no ano anterior atrasada (dessa vez bem menos atrasada que ano passado). Mas vamos lá!

Devido à filho, viagens e mudanças, dentre outras coisas, 2017 acabou sendo um ano de "poucas" jogatinas, por conseguinte, um ano que conheci menos jogos (32 no total, quase metade do que conheci em 2016).  Também joguei pouca coisa do que saiu por aqui, muito menos jogos de autores nacionais. Porém, ainda assim, o boardgame, como hobby, sempre foi uma prioridade no meu tempo livre, então, mesmo tendo diminuído, as jogatinas não pararam - deu pra separar alguns jogos e trazer diversas listas para o blog.

Foi um ano que também dei uma diminuída grande na compra de jogos. Mas, dessa vez, por escolha própria, pois minha coleção já está num tamanho que considero satisfatório, então acabei me deparando com muitos jogos comprados e poucos jogados (quem nunca?). Por essa razão, procurei priorizar a compra de jogos que estão na wishlist há muito tempo (que, aliás, foi revisada e deu uma encurtada considerável), a maioria adquiridos em promoções ou usados, e também jogos mais estranhos, que pareciam curiosos e interessantes, mas também pouco acessíveis (logo, só tinha como conhecê-los se eu obtivesse um cópia para mim).

Dessa vez dividirei as listas em dois posts, pra não fica tão extenso.

Nessa primeira, vou elencar os melhores jogos que conheci em 2017, independentemente do ano em que foi lançado e se já saiu aqui no Brasil ou não. Como sempre, farei dois Top 5: um com os jogos mais leves (não necessariamente familiar) e festivos (party), outro com jogos mais pesados e wargames (vale lembrar que são minha preferência).

Depois postarei as listas com os melhores jogos lançados no Brasil em 2017, independentemente do ano em que joguei a primeira vez. Como essa lista foi prioritariamente feita para minha participação como jurado no Prêmio Ludopedia, vou aproveitar e tecer alguns poucos comentários sobre a premiação desse ano.

Mas, antes, vamos seguir com os melhores jogos que conheci no ano passado!

TOP 5 NOVIDADES - LEVES/FESTIVOS

Ao contrário do que normalmente acontece, dentro dessa categoria, conheci poucos party games no ano passado e nenhum conseguiu sequer uma menção honrosa. Porém, tive o prazer de jogar alguns euros mais leves bem legais (o que é interessante, porque normalmente é o estilo de jogo que menos curto). Vamos à lista!

Menções honrosas: Elder SignSantoriniAzzelij.


05. Imhotep, de Phil Walker-Harding
(2016, 2-4 jogadores, 40 minutos)
[link BGG e Ludopedia]

Imhotep é um euro bem simples, mas com bastante interação (aliás, todos os euros dessa lista possuem uma boa dose de interação, que, pra mim, acaba sendo o diferencial nesse tipo de jogo). Daquele tipo de boardgame que, na sua vez, você não sabe se faz algo que é melhor pra você ou algo que atrapalhe os oponentes. Claro, isso sempre se preocupando com que o seu oponente não te atrapalhe. O jogo tem um sistema em que você vai colocando "pedras" de sua cor (grandes cubos de madeira) em barcos, para depois envia-los à áreas diferentes, que te garantirão pontos de maneiras diversas (e isso é uma das coisas que achei bem interessante). Acontece que esses barcos são compartilhados, então muitas vezes os oponentes o enviarão para áreas que não são do seu interesse, trazendo essa boa dose de interação que gosto tanto.

04. 7 Wonders Duel, de Antoine Bauza e Bruno Cathala
(2015, 2 jogadores, 30 minutos)
[link BGG e Ludopedia]

Nem sou muito fã do 7 Wonders original, mas essa versão para duas pessoas se mostrou muito mais controlável (que é uma das coisas que menos gosto no original) e direta. Trouxe um outro sistema para seu antigo draft, mantendo a mesma sensação, mas deixando (quase) toda a informação aberta e, consequentemente, elevando o aspecto estratégico do jogo. Junto com as diferentes configurações de disposição das cartas para cada era, isso tudo também acaba exigindo mais pensamento tático, e o jogo torna-se um "cabo de guerra" bem divertido.

03. Arkham Horror: The Card Game, de Nate French e Matthew Newman
(2016, 1-2 jogadores, 60-120 minutos)
[link BGG e Ludopedia]

Em 2016 descobri o LCG do Senhor do Anéis e me viciei completamente. Comecei a comprar tudo com a intenção de jogar solo, mas a experiência parecia exigir um companheiro, daí deixei pra seguir a campanha com outra pessoa. Então veio a versão LCG do Arkham Horror, com a mesma proposta cooperativa, e fui logo atrás. Funcionou muito melhor como jogo solo (mas, ainda assim, parece ser melhor em dois) e acabei me viciando nesse também. Apesar do card game do Senhor do Anéis ser mais "jogo", trazendo mais brechas na estrutura do turno para que a pessoa possa aproveitar melhor suas possibilidades (logo, trazendo mais opções estratégicas), o Arkham Horror: The Card Game é muito mais imersivo e usa seu sistema para capturar a situação de cada aventura, no sentido temático, de uma maneira ainda mais diversificada e interessante. E, considerando que cada ciclo é uma campanha de fato (ao contrário do outro), acabei me vendo completamente imerso no jogo e suas histórias e, hoje, é um dos meus jogos de cartas preferido.

02. Isle of Skye: De Líder a Rei, de Andreas Pelikan e Alexander Pfister
(2015, 2-5 jogadores, 30-50 minutos)
[link BGG e Ludopedia]

Isle of Skye foi o jogo que me deixou fã de vez do Alexander Pfister, que acabou se tornando um dos meus designers preferidos rapidamente. Seus jogos pesados (Mombasa, Great Western Trail) são fantásticos, e eu já achava o Broom Service, que é um jogo mais leve, bem legal. Então o Isle of Skye veio confirmar como o Pfister é criativo, trazendo jogos, leves ou pesados, sempre muito bons e bem diferentes um do outro. Usando da mecânica de alocação de tiles (tile placement), o jogo tem um sistema de leilão que traz uma interação divertidíssima, junto com a "seriedade" de qualquer euro queima-neurônio, agradando jogadores mais casuais ou mais heavy. Ademais, a maneira como se pontua sempre muda de partida para partida, trazendo uma rejogabilidade incrível. Fantástico!

01. T.I.M.E Stories, de Peggy Chassenet e Manuel Rozoy
(2015, 2-4 jogadores, 90-240 minutos)
[link BGG e Ludopedia]


Mas o primeiro lugar tinha que ir para essa experiência incrível. T.I.M.E Stories é daqueles jogos que só se joga uma única vez (pior que um legacy, apesar de não ter destruição de componentes), pois na verdade trata-se de uma série de puzzles e segredos inseridos numa história específica, tudo juntado através de um sistema que traz um grau de imersão que nunca vi antes. O jogo base vem com uma única campanha, que deve durar algo em torno de 4 partidas, que por si só já vale a pena. Mas ainda possui várias expansões que contém novas histórias. Costumo dizer que a caixa base é como um console de vídeo game e as expansões são cartuchos. E mesmo que você jogue cada cartucho uma única vez, a experiência é inesquecível.

TOP 5 NOVIDADES - PESADOS

Apesar de poucas novidades para mim em 2017, algumas delas estão dentre os melhores jogos que já joguei, mostrando que quantidade não é qualidade. Como dito anteriormente, conheci uns jogos bem esquisitos e pouco falados, que poderiam estar nessa lista facilmente (ou na anterior), mas sinto que necessito jogar alguns deles mais vezes justamente por trazerem uma primeira impressão estranha, diferente (mas não necessariamente ruim).

Antes da lista, algumas menções honrosas: Bora BoraEclipseRococoRussian RailroadsFrancis DrakeYamataï.


05. Grand Prix, de Jeff Horger e Carla Horger
(2016, 2-11 jogadores, 90 minutos)
[link BGG e Ludopedia]

Grand Prix é um desses jogos estranhos que mencionei, por diversos motivos: o tema de fórmula 1 (que, apesar de não ser diferente, é estranho porque eu não sou nem um pouco fã desse esporte), o fato de ser publicado pela GMT Games (que faz jogos de guerra, normalmente) e a maneira como é feita a movimentação dos carros. O jogo é um card driven que usa o mesmo sistema do Thunder Alley (mais famoso, porém esgotado). Cada jogador controla um equipe de dois carros e, em seu turno, pode movê-los utilizando cartas que vão indicar o tipo e quantidade de movimento. Porém, muitos desses tipos de movimento vão te fazer mover o seu carro específico, mas também todos os outros carros que estão na frente e atrás dele, como se formasse uma espécie de link. Acaba que a estratégia se torna não só como melhor mover seus carros, mas também como melhor aproveitar o movimento dos carros dos oponentes. Enquanto você joga, é tudo bem estranho, mas no final, depois de todos os carros se moverem, as coisas fazem mais sentido e o jogo acaba simulando uma corrida de fórmula 1 de uma maneira interessantíssima e bem real.

04. Terraforming Mars, de Jacop Fryxelius
(2016, 1-5 jogadores, 120 minutos)
[link BGG e Ludopedia]

Não há o que falar desse jogo que foi trazido para o Brasil e virou um hype instantâneo. Ainda menos porque já escrevi um post especificamente sobre minhas primeiras impressões do jogo. Mas posso garantir que merece todo o falatório. Simples, mas complexo, com uma interação pequena, mas interessante, elementos bem curiosos (os três parâmetros compartilhados que definem o fim da partida, dentre outros), muitas cartas que formam COMBOS (já falei que adoro combos?)... Muito bom!

03. My Village, de Inka Brand e Markus Brand
(2015, 2-4 jogadores, 60-90 minutos)
[link BGG e Ludopedia]

Gosto muito do Village original. Quando ouvi falar dessa versão com dados que era ainda mais complexa, a curiosidade bateu imediatamente. No fim, é bem diferente do seu irmão mais velho, mas ainda melhor! Com um uso compartilhado (e bem interessante) de dados, muitas opções estratégicas e mantendo aquele sistema interessantíssimo de matar os trabalhadores, não tinha como dar errado.

02. Great Western Trail, de Alexander Pfister
(2016, 2-4 jogadores, 75-150 minutos)
[link BGG e Ludopedia]

Outro jogo que não há muito o que falar, considerando o hype que recebeu. Pfister ganha a segunda colocação novamente, mas dessa vez com um jogo beeem pesado. Great Western Trail é mais um daqueles euros cheios de informação, mas construído de modo que tudo se encaixa num sistema conciso, exigindo muito o entendimento dessa engrenagem e, consequentemente, a otimização de ações. Porém, aqui o designer traz novamente seu toque criativo numa mecânica de ações que é quase uma alocação de trabalhadores (worker placement), mas preso a um caminho (literalmente) de sentido único. Porém, depois de uma certa fase (vender gado), que é a principal fonte de pontos de vitória, seu trabalhador volta a percorrer o caminho todo de novo. No fim das contas, o segredo é, sempre que reiniciar esse caminho, calcular o que você realmente precisa nessa rodada, parando somente nas ações que vão te dar isso, e chegar no final para vender gado o mais rápido possível e recomeçar tudo novamente. Entra facilmente como um dos melhores boardgames que já joguei na vida (e olhe que ainda prefiro o Mombasa!).

01. Pax Renaissance, de Phil Eklund e Matt Eklund
(2016, 2-4 jogadores, 60-120 minutos)
[link BGG e Ludopedia]


E, encerrando a lista, o primeiro lugar vai para um jogo estranho. Muito estranho. Não sei nem por onde começar... A maneira como foi implementada a condição de vitória já diz muita coisa: são quatro formas distintas de se vencer, porém elas começam desativadas. No decorrer da partida, os jogadores vão ativando uma ou mais delas, e só assim podem cumpri-las e vencer. Mas para vencer você tem que gastar uma ação, de modo que não é possível ativar uma dessas condições e imediatamente se consagrar vencedor. Ou seja, a condição fica ali aberta e seu oponente certamente vai te atrapalhar, impedindo que você a cumpra, ou até mesmo cumprindo ele próprio. Isso, por si só, já traz um nível de tensão incrível. Ademais, o Pax Renaissance tem um forte aspecto de um jogo de guerra, porém aqui você não controla os exércitos, mas pode influencia-los usando cartas que representam personalidades históricas importantes. Aliás, o jogo é um dos mais temáticos que já joguei, com uma profundidade histórica impressionante. Eu não conhecia nenhum jogo do Phil Eklund até então, mas sempre li que são bem pesados, temáticos, tensos e fantásticos. Parece que é verdade... Sei que não consegui passar como é o funcionamento do Pax Renaissance, mas essa é uma tarefa quase impossível de se fazer simplesmente escrevendo um texto curto. Aliás, foi uma das únicas vezes que li um manual e não consegui entender qual era a do jogo, de modo que, na primeira partida, acabamos sem realmente saber o que estávamos fazendo. Mas te garanto uma coisa: se você curte jogos pesados, diferentes e com uma interação no estilo wargame (isso tudo num card game de caixa bem pequena), vá urgentemente atrás do Pax Renaissance!

--------------------------------------------

E foi isso! Depois venho com as listas dos meus jogos preferidos dentre os que foram lançados por aqui. Mas antes, comentem vocês os jogos que conheceram em 2017 e que explodiram a sua mente (ou não)! =D

Nenhum comentário: